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Sex, 20 de Junho de 2008 15:49

GLP - Informações  técnicas

O GLP - gás liquefeito de petróleo - pode ser separado das frações mais leves de petróleo ou das mais pesadas de gás natural. À pressão atmosférica e temperaturas normalmente encontradas no ambiente, é um produto gasoso, inflamável, inodoro e asfixiante, quando aspirado em altas concentrações.

À temperatura ambiente, mas submetido à pressão na faixa de 3 a 15 kgf/cm2, o GLP se apresenta na forma líquida. Desde fato resultam o seu nome - gás liquefeito de petróleo - e a sua grande aplicabilidade como combustível, devido à facilidade de armazenamento e transporte do gás, a partir do seu engarrafamento em vasilhames.

Para que os vazamentos de gás seja, facilmente identificados, compostos a base de enxofre são adicionados, apenas para lhe dar um odor característico, sem lhe atribuir características corrosivas.


O GLP é largamente conhecido como "gás de cozinha", devido à sua principal aplicação como gás para cocção de alimentos, estimada em mais de 90% da demanda brasileira. Outras aplicações comumente encontradas são as de combustível industrial em fábricas e como combustível de empilhadeiras, utilizadas em ambientes fechados.

A forma de comercialização mais comum é a de engarrafamento em botijões de 13 kg de gás. Estima-se que existam mais de 70 milhões de vasilhames deste tipo em circulação pelo País. Cilindros de 45 kg de gás também são largamente comercializados, principalmente para estabelecimentos comerciais. Recipientes com capacidades diferentes também podem ser encontrados, mas em número muito menor. A venda de GLP a granel, em caminhões e vagões-tanque, só é feita para consumidores industriais.

O Governo Brasileiro faz uma política social de apoio à população mais pobre, subsidiando o GLP para uso doméstico através de uma parcela embutida no preço de outros combustíveis, principalmente da gasolina. Devido a isto, o GLP tem uma penetração muito grande em todo o País, substituindo até mesmo parte da lenha para cocção de alimentos na zona rural. Por outro lado, preços baixos acarretam a utilização indevida deste combustível, como para aquecimento de saunas e piscinas ou como combustível para veículos e utilitários leves. Estas aplicações são ilegais e muitas vezes perigosas, devido às improvisações e à falta de regulamentação nos equipamentos que dele se utilizam.


O GLP consumido no País provem em sua maior parte do refino do petróleo. O petróleo é basicamente uma mistura de hibrocarbonetos, compostos formados por átomos de carbono e hidrogênio. O processo de refinação do petróleo consiste em se separar estas misturas em faixas delimitadas onde certas características podem ser associadas aos produtos obtidos.

O GLP é um derivado composto da mistura de hibrocarbonetos com 3 e 4 átomos de carbono com ligação simples, denominados de propano e butanos. Ligações duplas, propeno e buteno, também ocorrem com freqüência, principalmente na corrente de GLP proveniente das refinarias.

Constituintes mais leves, como etano, e mais pesados como pentanos, são admitidos desde que:

a pressão de vapor a 37,8oC não ultrapasse o valor de 15,0 kgf/cm2, o que limita a quantidade de leves;

o ponto de ebulição de 95% do volume de gás, a 760 mmHg, não ultrapasse o valor de +2oC (característica conhecida como intemperismo), o que limita a quantidade de pesados.

A quantidade de enxofre é limitada em 0,36 g/m3, o que normalmente só é obtido em refinarias após a corrente de gases passar por tratamento específico.

A primeira etapa do processo de refino é a destilação atmosférica. Nela o petróleo é aquecido e fracionado em uma torre, de onde são extraídos, por ordem crescente de densidade, gases combustíveis, GLP, gasolina, nafta, solventes e querosenes, óleo diesel e um óleo pesado, chamado de resíduo atmosférico, extraído pelo fundo da torre.

Em seguida este resíduo é reaquecido e enviado para uma outra torre onde o fracionamento se dá a uma pressão abaixo da atmosférica, sendo então extraído mais uma parcela de óleo diesel e um produto chamado genericamente de gasóleo. O resíduo de fundo desta destilação, chamada a vácuo, pode ser especificado como óleo combustível ou asfalto, ou até mesmo servir como carga de outras unidades mais complexas de refinação, sempre com o objetivo de se produzir produtos mais nobres do que a matéria-prima que os gerou.

O gasóleo, por exemplo, serve como matéria-prima para o processo de craqueamento catalítico, onde altas temperaturas conjugadas à presença de catalisadores químicos partem as moléculas, transformando-o em gases combustíveis, GLP, gasolina e outros produtos. Esta unidade de craqueamento catalítico fluído, conhecida como FCC, é a grande geradora de GLP produzido nas refinarias brasileiras. Após tratamento para remoção de enxofre e compressão dos gases, a parte que se liqüefaz à temperatura ambiente é armazenada em esferas e denominada gás liquefeito de petróleo, GLP.

Outro processo de onde é extraído parte do GLP consumido no País é o que ocorre nas Unidades de Processamento de Gás Natural, UPGN, na quais as frações mais pesadas do gás são separadas da corrente, produzindo GLP e um derivado na faixa da gasolina.

De cada barril de petróleo a refinar, o rendimento em derivados varia de acordo com o tipo de petróleo, as condições operacionais e, por último, com os processos utilizados. Por exemplo, petróleos mais leves geram maior quantidade de derivados leves, como gases combustíveis, GLP e gasolina. Petróleos pesados geram mais óleo combustível ou asfalto. O objetivo sempre é o de atender o mercado nacional de derivados ao menor custo e em quaisquer circunstâncias.

De qualquer forma existe uma limitação na quantidade de GLP produzida a partir da refinação do petróleo. Atualmente, com a gama de tipos de petróleo processados e as unidades em operação nas refinarias brasileiras, aproximadamente 9% do petróleo refinado é transformado em GLP. Em 1997, as unidades em operação nas refinarias, somadas com as UPGN, produziram uma média mensal de cerca de 325.000 toneladas (t) de GLP, o que fica muito aquém da demanda média brasileira de aproximadamente 525.000 t/mês. A diferença, em torno de 40% do consumo, é completada a partir de GLP importado. Daí a importância da existência de projetos de racionalização do uso deste combustível.

A opção de se aumentar a oferta de GLP simplesmente a partir do aumento da capacidade de refino não revela a mais atraente do ponto de vista de custos, uma vez que o aumento de 60% da capacidade de refino, necessário para atender o mercado, acarretaria uma sobra considerável de outros combustíveis, principalmente gasolina e óleo combustível, e a conseqüente dificuldade de se comercializá-los a preços atrativos. Desta forma, a menos que aconteça um rearranjo do perfil de consumo de derivados no País, a importação de GLP se fará presente ainda por muito tempo.



O GLP é comercializado no País em quase sua totalidade como uma mistura de gases na faixa de hidrocarbonetos com 3 e 4 átomos de carbono, conforme explicado no item produção e especificação. No entanto também estão disponíveis no mercado os principais componentes do mesmo em graus de pureza variados, quais sejam:

propano especialcom concentração mínima de 90% em volume de propano e máxima de 5% de propeno
propano comercialcom concentração típica de 90% em volume de propano
butano comercialcom concentração típica de 90% em volume de butano

Os consumos de propano e butano respondem atualmente por menos de 1% da demanda total dos gases na faixa do GLP. As aplicações típicas destes gases (fornecidos desodorizados) são para pressurização de aerossóis, em substituição ao CFC que agride a camada de ozônio da atmosfera e no caso do propano especial como combustível para corte e tratamento térmico de metais.


O GLP é um gás extremamente inflamável e asfixiante se aspirado em altas concentrações. A inalação prolongada pode provocar tonteira e, até mesmo a morte, se o vazamento for em local confinado e sem ventilação, por reduzir a concentração de oxigênio.

No caso de inalação prolongada do gás, a pessoa deve ser removida imediatamente para ambiente fresco e ventilado. Se houver parada respiratória, ministrar respiração artificial ("boca a boca") e encaminhar imediatamente ao médico, se for possível.

Em qualquer caso, NUNCA produza faíscas no ambiente em que houve vazamento de GLP, pois existe sério risco de explosão. Não fume, risque fósforos, acione isqueiros ou acenda luzes, pois até mesmo o fechamento de contatos elétricos em interruptores pode provocar faíscas em quantidade suficiente para desencadear a explosão da mistura ar e gás.

Por ser mais pesado do que o ar, o GLP concentra-se ao nível do chão, ocupando gradativamente todo o ambiente na medida em que o vazamento não é estancado. Por isso remova, se possível, a fonte alimentadora de gás e abra todas as portas e janelas, tentando ventilar ao máximo o ambiente contaminado, se for esse o caso, para reduzir a concentração de gás no mesmo.

Para a extinção de incêndio com GLP como combustível deve-se usar extintor de CO2, pó químico ou neblina d'água. Em pequenos incêndios pode-se tentar abafar o foco, estancando sempre o vazamento de gás, para que o fogo não se reinicie.

Avalie bem a situação. Em vazamentos de grandes proporções, o Corpo de Bombeiros deve sempre ser chamado.

Cuidados no armazenamento, transporte e manuseio do GLP

A qualidade do GLP comercializado nos postos de distribuição ou nas vendas a granel é resultado da ação dos vários segmentos ao longo da cadeia em que o combustível é transportado, armazenado e utilizado.

Da refinaria ou terminal até o consumidor final, o GLP percorre um longo caminho, envolvendo processos relativamente simples de transferências e armazenamentos. Contudo para se manter as características originais do produto ao longo deste caminho, algumas precauções devem ser tomadas.

Um caminho típico do GLP até o consumidor final é o seguinte:

O GLP produzido ou importado fica armazenado em vasos de pressão que podem ser esferas, cilindros ou até mesmo navios-tanque. Antes de ser transferido para as distribuidoras, o produto é amostrado e certificado, comprovando-se a sua adequação à especificação de venda. A partir deste ponto, geralmente não há mais nenhum controle sistemático das características do produto, razão pela qual cuidados adicionais devem ser observados para que problemas não aconteçam.

A transferência do GLP até o parque de armazenamento da distribuidora, onde o mesmo também fica estocado em cilindros ou esferas, se dá por meio de bombeio via dutos ou por carregamentos de caminhões ou vagões-tanque.

Por exemplo, para os gases propano e butano, comercial ou especial, todos os cilindros onde os mesmos forem armazenados devem ser limpos e apenas utilizados para esta finalidade. Os caminhões ou vagões-tanque também devem ser específicos para este serviço. De outra forma, é muito difícil assegurar que a composição do produto não seja alterada.

O GLP comum, por já ser uma mistura de gases, não provoca esta preocupação. Porém conforme dito no item Produção e Especificação, pequenas frações de hidrocarbonetos mais pesados do que o butano são admitidas nesta mistura, desde que o intemperismo não exceda +2 oC. Armazenamentos sucessivos de GLP, sem que se realize uma limpeza periódica dos vasos, podem acarretar um acúmulo destas frações pesadas dentro dos mesmos e, eventualmente, gerar um GLP fora de especificação.

Problema semelhante ocorre nos recipientes de diversas capacidades disponíveis no mercado. Eles percorrem continuamente um ciclo de enchimento e esvaziamento entre o consumidor e o parque da distribuidora. Deve-se prever uma limpeza periódica dos mesmos após certo número de reenchimentos, sob pena de que o GLP armazenado fique contaminado com pesados.

Um outro item muito importante a ser observado é o de adequalibilidade dos recipientes à norma brasileira NBR 8460 - Recipiente Transportável de Aço para Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) - Requisitos e Métodos de Ensaio, assegurando que os mesmos estão capacitados a resistirem às solicitações mecânicas a que são submetidos.

O usuário final também tem a sua parcela de contribuição importante a dar nesse processo. Além de exigir seus direitos de consumidor, ele deve se informar sobre todas as características do combustível, do recipiente que o contém e do equipamento no qual o mesmo é queimado, assegurando-se de que todos os procedimentos corretos de uso estão sendo observados, incluindo, principalmente, a adequabilidade do combustível utilizado à finalidade em que o mesmo está sendo aplicado. Por exemplo, se o equipamento prevê a utilização de propano como combustível, a substituição do mesmo por GLP poderá trazer problemas à queima e, conseqüentemente, ao bom desempenho do mesmo.

Os folhetos emitidos pelo CONPET: "Dicas para economizar gás no seu fogão com segurança" e "Dicas para economizar gás no seu aquecedor com segurança", abrangem as utilizações domésticas mais rotineiras do GLP. Se desejar obter informações sobre Gás Natural, consulte também: Gás Natural - Informações Técnicas.

Quanto ao uso comercial e industrial podemos acrescentar as seguintes orientações:

Baterias de cilindros de GLP devem ser muito bem dimensionadas quanto à demanda máxima de utilização do sistema. Uma vazão solicitada acima da prevista em projeto provoca uma grande queda de pressão em todo o sistema de distribuição do gás e a conseqüente taxa elevada de vaporização de GLP dentro dos cilindros, com grande perda de calor. Em casos extremos, a temperatura no cilindro pode atingir valores abaixo do ponto de vaporização do gás, interrompendo o fornecimento. Retire de operação a bateria de cilindros, até que a temperatura se restabeleça, substituindo-a pela bateria reserva, caso disponível.

Se o problema persistir, a única solução é a ampliação do sistema de fornecimento ou a limitação do seu uso em horários de pico de demanda.

Consumidores industriais utilizam-se muitas vezes de vaporizadores de GLP para adequá-lo à operação em temperaturas ambiente baixas. Da mesma forma que em sistemas de armazenamento de GLP, o circuito de vaporização deve ser periodicamente inspecionado e limpo, para que não ocorra acúmulo de pesados, ao longo do tempo, em vasos e pontos baixos. Este líquido formado pode, eventualmente, ser arrastado até os bicos queimadores, provocando vários transtornos ao processo industrial em que estejam inseridos.

A distribuidora de gás deve ser sempre contactada quando existir alguma dúvida ou problema quanto ao fornecimento de GLP. Só ela está capacitada a esclarecer estes casos ou encaminhá-los a pessoal responsável, que possa efetivamente resolvê-los.

Fonte: Site da CONPET - www.conpet.gov.br

  
  
  
  
Última atualização ( Sáb, 05 de Julho de 2008 22:59 )
 

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