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Vendas de gás têm concorrência desleal em dez capitais, diz estudo
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- Publicado em Terça, 29 Novembro -0001 20:53
por Maria Cristina Frias
Ao menos dez capitais brasileiras já registraram neste ano vendas de botijão de GLP (gás de cozinha) a um valor que indica a prática de concorrência desleal, de acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e de um estudo da USP.
O valor mínimo cobrado pelas distribuidoras para pagamento de todos os fatores de produção deveria ser de R$ 27,38 para um botijão de 13 kg, diz o economista e professor da USP Fabio Kanczuk.
"Essa prática costuma ser realizada por empresas que têm mais fluxo de caixa, com o objetivo de quebrar as demais. Depois elas aumentam os preços e ficam com uma parcela maior dos lucros", explica Kanczuk.
Entre as cidades que apresentaram vendas abaixo do valor indicado pelo estudo estão São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador.
Para o professor, a ocorrência do fenômeno deveria ser observada pela SDE (Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça) e pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
O Cade analisa atualmente dois casos sobre o assunto, de Santa Catarina e Bahia.
Segundo o presidente do Sindigás, Sérgio Bandeira de Mello, as variações de preços mostram alto grau de competitividade, mas não significam, necessariamente, um tipo de concorrência desleal.
Para Amaro Helfstein, diretor da Copagaz, as disputas mais acirradas acontecem em São Paulo e Recife. "Muitas empresas não pagam todos os impostos e deixam de investir em segurança."

Fonte: Folha de São Paulo

